quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

compondo o belo com o necessário

Hoje, 23 de dezembro, no ano de 1806, estreava em Viena, o Concerto para Violino de Beethoven, numa apresentação beneficiente para seu colega Franz Clement, um dos principais violinistas da época. Desde então, o Concerto para Violino e Orquestra em Ré maior, op.61, tem sido uma das mais bonitas e importantes obras do repertório para violino. Eu acho um concerto digno de um superlativo: belíssimo. Aqui, apenas, o 1°movimento, allegro non troppo, com Carlo Maria Giulini na regência da Filarmônica de Londres, e Itzhak Perlman, no solo de violino.

Sobre Perlman, uma admiração imensa, há muito o que ser dito:
Eis um homem que conduziu sua vida para produzir música com violino de quatro cordas. Numa ocasião, em 1995, no meio de um concerto em Nova York, perde uma corda. Encontra nas três cordas restantes o som que lhe dava a corda faltante e a música que toca é tão bonita quanto qualquer outra que tenha tocado antes, com quatro cordas.
Deixa com isso uma marca na estrada, talvez nossa tarefa neste mundo instável, variante e perplexo em que vivemos seja produzir música, primeiro com o que temos e depois, quando isso já não é possível, produzir música com o que nos sobra.
Música: a metáfora mais bonita.



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