sábado, 22 de janeiro de 2011

macabro é não conhecer

Camille Saint-Saëns era muito talentoso como executante e como compositor. Tornou-se conhecido pelos seus poemas sinfônicos, sobretudo Dança Macabra, de 1874, pleno de inspiração humorística.  A obra é baseada no poema Dance of Death, de Henri Cazalis.

De acordo com a superstição antiga, na meia-noite do dia das bruxas, a morte aparece e chama os mortos de suas sepulturas para dançar para ela enquanto toca sua rabeca, representada por um solo de violino com a corda mi. Os esqueletos dançam até o raiar do dia, quando o galo anuncia o alvorecer, que é a ordem para que todos retornem de onde vieram e só voltem no ano seguinte. Lentamente os ossos voltam para a sepultura até o acorde final.
Ludmil Angelov, no piano e Vesko Eschkenazy, no violino, esclarecem as intenções de Saint-Saëns ao compor Dança Macabra e ajudam a gente a entender melhor essa pérola.
E como um bom caminho pra se gostar de algo é entender... é muito interessante perceber quando amanhece, pelo canto do galo, no som do violino; e os sons dos ossos chacoalhando no tema do piano. Gostando ou não, macabro é não conhecer.

Em tempo,
O canto:     versão canção Danse Macabre, op.40, para voz e piano, de 1872 - aqui
                   na voz da mezzo-soprano Anne Sofie von Otter.

O verso:     a letra, o poema - Dance of Death - de Henri Cazalis
Zig et zig et zag, la mort en cadence
Frappant une tombe avec son talon,
La mort à minuit joue un air de danse,
Zig et zig et zag, sur son violon.

Le vent d'hiver souffle, et la nuit est sombre,
Des gémissements sortent des tilleuls;
Les squelettes blancs vont à travers l'ombre
Courant et sautant sous leurs grands linceuls,

Zig et zig et zag, chacun se trémousse,
On entend claquer les os des danseurs,
Un couple lascif s'assoit sur la mousse
Comme pour goûter d'anciennes douceurs.

Zig et zig et zag, la mort continue
De racler sans fin son aigre instrument.
Un voile est tombé! La danseuse est nue!
Son danseur la serre amoureusement.

La dame est, dit-on, marquise ou baronne.
Et le vert galant un pauvre charron – Horreur!
Et voilà qu'elle s'abandonne
Comme si le rustre était un baron!

Zig et zig et zig, quelle sarabande!
Quels cercles de morts se donnant la main!
Zig et zig et zag, on voit dans la bande
Le roi gambader auprès du vilain!

Mais psit ! tout à coup on quitte la ronde,
On se pousse, on fuit, le coq a chanté
Oh ! La belle nuit pour le pauvre monde!
Et vive la mort et l'égalité!

Nenhum comentário: