quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

das tripas, o coração

Considerado um dos maiores violinistas do século XX, Jascha Heifetz, de ascendência judaica, nasceu em 2 de fevereiro de 1901, na Lituânia. Seu estilo de tocar influencia na maneira em que violinistas modernos abordam o instrumento até hoje. Alguns o consideram inigualável, não por acaso. Para o som que produzia, a escolha de cordas de tripa de carneiro foi fundamental. Heifetz tinha vibrato e andamentos rápidos, carregados de emoção, e soberbo controle do arco. Dono de técnica impecável e de beleza tonal, criou um padrão único de tocar violino, em uma carreira que se estendeu por 65 anos. Um dia após a estréia de Heifetz, em Londres, George Bernard Shaw escreveu-lhe uma carta, agora lendária:

"Se você provocar um Deus zeloso, tocando com perfeição sobre-humana, você vai morrer jovem. Eu sinceramente aconselho-te a tocar algo mal todas as noites antes de ir para a cama, ao invés de dizer as suas orações. Nenhum mortal deve presumir tocar tão perfeitamente."
Assim, Jascha Heifetz era e ainda é visto. Confere a participação deste violinista incrível no filme "They Shall Have Music", de 1939, executando a Introduction et Rondo Capriccioso, de Camille Saint-Saëns. Uma obra prima! Uma das minhas preferidas.

O ritmo fraseado de Heifetz sugere poesia no gesto, a prova real de que é possível fazer das tripas, coração. Ele transplanta, eu transbordo, transverto, transgrido.




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