quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

na intenção do intento

Se, ao abrir a postagem, imaginou: Ah... é a 5°, nada de novo, já conheço, não preciso nem ler, nem clicar para ouvir. Se isto realmente acontecer, pouco há que ser feito. Mas, se não está preso e autorizou sua percepção a andar, veja e ouça o 1°movimento desta obra-prima, executada com perfeição pela Filarmônica de Berlim, em 1966, sob a regência do genial Herbert von Karajan.

Em 1808, Beethoven oferece aos espectadores um concerto extraordinário: a primeira audição da 5°Sinfonia. Na época, o público não encontra nesta obra o gênero de prazer que procura, não mostra muito entusiasmo. Dá pra entender o porquê, embora bem conhecida, até hoje é assim. É que esta obra exige muito de quem ouve. É preciso uma constante adaptação à sucessão inesperada dos acontecimentos interiores que os sons refletem. O ouvinte tem que se tornar cúmplice da vontade criadora. Um gesto nada simples, mas pleno de generosidade e respeito. Não encontramos nesta Sinfonia outra expressão a não ser esta transferência de vontade para a obra.
Beethoven, sobre o famoso motivo inicial, disse: "Assim o destino bate à porta". Anuncia, com isso, como o combate faria um sinal do destino. É pra este combate que nos arrasta a Sinfonia. Esta não é uma sinfonia do destino, mas a expressão de uma vontade tensa, cuja única direção é combater e vencer - é lindo!
O contraste entre a ideia metafisica de destino e a imagem realista das pancadas na porta
é um pretexto para a caricatura (largamente explorado pelos humoristas) que afasta os "espíritos cultos" desta obra-prima: dirão que estão fartos de conhecê-la, embora nunca a ouçam. Mas quando a simples célula rítmica, tocada por timbales, chamava a Europa nazificada à luta pela liberdade, toda a gente conseguia compreender o que Beethoven sugeria e o sentido da sua Sinfonia. A cada combate a vencer é assim. É só se dispor a ouvir. Essa é a Sinfonia N°5 em dó menor, op.67, de Beethoven, prazer em conhecer.






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