sexta-feira, 11 de março de 2011

septuagésimo dia


"Podeis ter visto na vida muitos navios singulares, suponho eu: lugres antiquados; vastos juncos japoneses; galeotas semelhantes a caixas de manteiga, e não sei mais o quê; mas, acreditai-me, nunca vistes uma embarcação tão rara e vetusta como este raro e vetusto Pequod." Moby Dick, Herman Melville, 1851.

Astor Piazzolla pra mim é isso, um Pequod, capaz de me levar a mares de todo teor de sal, à procura de raras especiarias, às minhas melhores pescarias. Sempre à cata de rútilas grandezas, o som de Piazzola se fez pra mim insubstituível. Há dias e noites que só se completam com ele... É quase todos os tempos de muitos dos meus verbos.
"O Cachalote Branco nadava diante dele como a encarnação monomaníaca de todas aquelas malígnas intervenções que alguns homens profundos sentem corroê-los, até que ficam vivendo com meio coração ou com um pulmão pela metade." Moby Dick, Herman Melville, 1851.
E, nos confins do possível, desisto do tempo dos relógios; e ocupo-me com pessoas e vinhos espirituosos.
"Olha, fica avisado: Ahab está acima do comum; esteve em faculdades, assim como entre canibais; acostumou-se com prodígios maiores do que as ondas; cravou sua lança impetuosa em inimigos mais poderosos e estranhos do que as baleias." Moby Dick, Herman Melville, 1851.
Indigesta aos tubarões, inspiro a proa, amarro a carga, desato a vela e clico no play  porque hoje o brinde é com Piazzolla, bandoneonista e compositor argentino - o aniversariante do dia.
[Piazzolla, por Yo-Yo Ma e Nestor Marconi, Regreso al amor, do filme Sur]



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