terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

germinando retratos

Há haveres e estares no mundo que não dispenso em som ou em silêncio de contemplação. Há brasileiros com eterno convite à mesa posta em minha casa - Jacob do Bandolim é um deles. Mais sobre ele aqui ...muito mais sobre ele na carta que escreveu para Radamés Gnattali ...e a cada nota de bandolim ressoado no coração de quem o ouve.
Trecho da carta: - "Meu caro Radamés, Antes de 'Retratos', eu vivia reclamando: É preciso ensaiar... E a coisa ficava por aí, ensaios e mais ensaios. E se hoje existia um Jacob feito exclusivamente à custa de seu próprio esforço, de agora em diante há outro, feito por você, pelo seu estímulo, pela sua confiança e pelo talento que você nos oferece e que poucos aproveitam". -

A suíte Retratos foi composta por Radamés Gnattali nos anos de 1957/58 e gravada por Jacob, em fevereiro de 1964, com a participação de Radamés e Orquestra. São 4 movimentos: Pixinguinha, Ernesto Nazareth, Anacleto de Medeiros e Chiquinha Gonzaga. "Retratos foi um salto de qualidade na carreira de Jacob e na música brasileira. Com a fusão perfeita entre a linguagem camerística e a popular, Radamés inaugurou uma nova dimensão no choro que, entretanto, só amadureceria cerca de 20 anos depois."
Ingênuo, do Pixinguinha, por Jacob do Bandolim. Aniversariante e dono do brinde de hoje, Jacob, um autodidata, identifica-se com o bandolim, instrumento que teve sua origem no alaúde ou, mais provavelmente, na mandola. Faz chover com as quatro cordas duplas, afinadas como no violino. Além de virtuoso instrumentista, preocupou-se em resgatar e preservar tudo que podia sobre a música brasileira, particularmente o choro. Exímio fotógrafo, microfilmou pessoalmente milhares de partituras, em especial a obra de Ernesto Nazareth, Candinho do Trombone e João Pernambuco, criando o Arquivo do Jacob - um patrimônio brasileiro.
A ele um leito de rio, um desague no mar, um ponteiro parado, um sonho plácido, uma ventura de viagem, ...a ele um descompasso dissonante, uma lata de minhocas, um sorriso aberto, um punhado de tempero, um retrogosto na boca, um toldo sorridente, ...a ele uma explosão radiofônica, uma névoa clara, um aroma macio, um par de galochas vermelhas, o carteiro no portão, a música na janela e a taça ao alto!
É dele o diploma de santo marido [re,re], outorgado pela grandiosa Adylia Bittencourt, uma mulher de primeira grandeza, uma menina azulcinada, uma guardiã de arquivos.


Um comentário:

Rejane Martins disse...

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http://youtu.be/V9ssWw7pHtc