terça-feira, 19 de junho de 2012

por tanto mar

a cinzar tiras, a rosa dos ventos, pro chico 

  
e do amor gritou-se o escândalo
do medo criou-se o trágico
no rosto pintou-se o pálido
e não rolou uma lágrima
nem uma lástima para socorrer
e na gente deu o hábito
de caminhar pelas trevas
de murmurar entre as pregas
de tirar leite das pedras
de ver o tempo correr
mas sob o sono dos séculos
amanheceu o espetáculo
como uma chuva de pétalas
como se o céu vendo as penas
morresse de pena
e chovesse o perdão
e a prudência dos sábios
nem ousou conter nos lábios
o sorriso e a paixão
pois transbordando de flores
a calma dos lagos zangou-se
a rosa dos ventos danou-se
o leito dos rios fartou-se
e inundou de água doce
a amargura do mar
numa enchente amazônica
numa explosão atlântica
e a multidão vendo em pânico
e a multidão vendo atônita
ainda que tarde
o seu despertar


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