sexta-feira, 9 de novembro de 2012

espaçograma

desde que saí de casa trouxe a viagem da volta
gravada na minha mão,  enterrada no umbigo
dentro e fora assim comigo, minha própria condução
todo dia é dia dela, pode não ser, pode ser 
abro a porta e a janela, todo dia é dia D
há urubus no telhado e a carne seca é servida
escorpião encravado na sua própria ferida
não escapa, só escapo pela porta da saída
todo dia é mesmo dia de amar-te e a morte morrer
todo dia é mais dia, menos dia é dia D
todo dia é dia D 
Torquato Neto

terramarear atenção
o futuro é hoje 
e cabe na mão 
terramarear atenção
fica a morte por medida
fica a vida por prisão


ao Torquato, ao Carl Sagan, referenciais pra mim, nada menos que pés descalços pro alto, boas almofadas, alguma bebida espirituosa e horas infindáveis de conversa, riso e silêncio




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