terça-feira, 30 de agosto de 2011

forma polifônica

dezesseis faces, um treino diário, este reinado, alguns lances, a busca do penúltimo erro e a garantia de que ela vencerá no final.
todo tempo ao alcance em todas as minhas estações,
tudo pelo vento, lacrado de
Oriente.


é a mais bela fuga no meio de uma sinfonia, é Karajan,
é a 5°de Beethoven, em 3°e 4°movimentos, é scherzo-allegro, allegro.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

a dição sobre mim

o time brasileiro mais Internacional do século
                                   somos 10 e parecemos um time completo
                                   somos 11 como se fôssemos um só
                                   somos 12 e ganhamos o mundo!



quarta-feira, 24 de agosto de 2011

estrela, estrela

olhares de Borges e Vitor - pura evidência entre cheias marés
porque o tempo é esquecimento e memória.
"Elegi a milonga como referencial para a busca
de uma estética do frio
por reconhecer nela
um poder de desnudamento,
de nos colocar
em contato com o íntimo e o essencial"
Vitor Ramil

Milonga de Albornoz
                [Jorge Luis Borges]
Alguien ya contó los días.

Alguien ya sabe la hora.

Alguien para quien no hay

Ni premuras ni demora.

Albornoz pasa silbando

Una milonga entrerriana;

Bajo el ala del chambergo

Sus ojos ven la mañana.


La mañana de este día

Del ochocientos noventa;

En el bajo del retiro

Ya le han perdido la cuenta

De amores y de trucadas

Hasta el alba y de entreveros

A fierro con los sargentos,

Con propios y forasteros.


Se la tienen bien jurada

Más de un taura y más de un pillo;

En una esquina del sur

Lo está esperando un cuchillo.

No un cuchillo sino tres

Antes de clarear el día,

Se le vinieron encima

Y el hombre se defendía.


Un acero entró en el pecho,

Ni se le movió la cara;

Alejo albornoz murió

Como si no le importara.

Pienso que le gustaría

Saber que hoy anda su historia

En una milonga - el tiempo

Es olvido y es memoria.


Estrela, Estrela - Vitor Ramil.


domingo, 21 de agosto de 2011

destilado

... ocasião, sons e aromas inconfundíveis

ah! essas nuvenzinhas temporárias, cada qual em forma única,
evaporam seus 12% de água condensando alegria e contentamento.




sábado, 13 de agosto de 2011

água-forte

cisma grama como cisco em traço de buril, talho-doce
oásis de alegria que some no sopro.

Bach, Partita n°6, Toccata, BWV830, Glenn Gould




terça-feira, 9 de agosto de 2011

notas

cheiro de alecrim nos olhos, m'olhos
                                   Alecrim, por Opus Ensemble
Rosmarin, de Brahms, op.62, nº1, por Gunter Jena

rosmarinus - o orvalho do mar,
a volatilidade do alecrim em notas de essência, tempero e canto.





quinta-feira, 4 de agosto de 2011

matiz


impetuosidade rítmica na sutil graduação em nuance de som e cor
um brilho sonoro - desabitado de qualquer coisa, descansa, apoia, poisa


com Bach, no prelúdio da Suíte n1 para Violoncelo,
enche as cordas de som na interpretação dos sonhos.




segunda-feira, 1 de agosto de 2011

sotavento

O Navio de Espelhos, poema e voz, Mário Cesariny,
música de Rodrigo Leão e Gabriel Gomes,
álbum Os Poetas, Entre nós e as palavras.
O navio de espelhos
não navega cavalga

Seu mar é a floresta

que lhe serve de nível

Ao crepúsculo espelha

sol e lua nos flancos

Por isso o tempo gosta

de deitar-se com ele

Os armadores não amam

a sua rota clara

(Vista do movimento

dir-se-ia que pára)

Quando chega à cidade

nenhum cais o abriga

O seu porão traz nada

nada leva à partida

Vozes e ar pesado

é tudo o que transporta

(E no mastro espelhado

uma espécie de porta)

Seus dez mil capitães

têm o mesmo rosto

A mesma cinta escura

o mesmo grau e posto

Quando um se revolta

há dez mil insurrectos

(Como os olhos da mosca

reflectem os objectos)

E quando um deles ala

o corpo sobre os mastros

e escuta o mar do fundo

Toda a nave cavalga

(como no espaço os astros)

Do princípio do mundo

até ao fim do mundo.