quinta-feira, 28 de junho de 2012

sobre pepitas, conserto

      à supremacia da simplicidade, a delicadeza de ravel em sol







terça-feira, 26 de junho de 2012

sobre terçado, rubros rubis

foram-se os anéis, sobram riquezas lapidadas,
corda em lume, pátina livre de esmalte,
elos aparados em natureza única,
excelência de raras matizes.



sábado, 23 de junho de 2012

sobre nadir, zênite





                                               em cisco, insisto,

encerra, a pérola, toda sua arte




je crois
entendre encore, bizet

quinta-feira, 21 de junho de 2012

sobre botas e botões


...são nos afetos e é na voz humana que se encontram as fontes mais naturais e antigas
com as quais se pode produzir um determinado tipo de música - da fala, à escrita, à imaginação - os livros. Tal como se tratasse de um instrumento de couro, de cana ou de lingueta, o som produz-se pelo movimento de um corpo vibratório, na fala, o das duas pequenas cordas vocais que se encontram ao longo da faringe. Só quando se sussurra ou quando se assobia não se põem em vibração as cordas vocais ...e a leitura é isso - esse ar, esse sussurro, esse assobio - essa qualidade específica da imaginação que nos remete ao silêncio musical dos livros. Considerado como o que é - um instrumento - a voz humana tem quatro registros principais: pra mim, Machado de Assis é um deles.
Começo a arrepender-me deste livro. Não que ele me canse; eu não tenho que fazer; e, realmente, expedir alguns magros capítulos para esse mundo sempre é tarefa que distrai um pouco da eternidade. Mas o livro é enfadonho, cheira a sepulcro, traz certa contração cadavérica; vício grave, e aliás ínfimo, porque o maior defeito deste livro és tu, leitor. Tu tens pressa de envelhecer, e o livro anda devagar; tu amas a narração direita e nutrida, o estilo regular e fluente, e este livro e o meu estilo são como os ébrios, guinam à direita e à esquerda, andam e param, resmungam, urram, gargalham, ameaçam o céu, escorregam e caem... E caem!
Machado de Assis, Memórias Póstumas de Brás Cubas, 1881, capítulo LXXI
No senão do livro, Turíbio Santos, num prelúdio n°1, do Villa-Lobos, pro Machado



terça-feira, 19 de junho de 2012

por tanto mar

a cinzar tiras, a rosa dos ventos, pro chico 

  
e do amor gritou-se o escândalo
do medo criou-se o trágico
no rosto pintou-se o pálido
e não rolou uma lágrima
nem uma lástima para socorrer
e na gente deu o hábito
de caminhar pelas trevas
de murmurar entre as pregas
de tirar leite das pedras
de ver o tempo correr
mas sob o sono dos séculos
amanheceu o espetáculo
como uma chuva de pétalas
como se o céu vendo as penas
morresse de pena
e chovesse o perdão
e a prudência dos sábios
nem ousou conter nos lábios
o sorriso e a paixão
pois transbordando de flores
a calma dos lagos zangou-se
a rosa dos ventos danou-se
o leito dos rios fartou-se
e inundou de água doce
a amargura do mar
numa enchente amazônica
numa explosão atlântica
e a multidão vendo em pânico
e a multidão vendo atônita
ainda que tarde
o seu despertar


domingo, 17 de junho de 2012

fênix


sobre renascer em líquido sincelo, sobre sagração e liberdade, sobre stravinsky - florar





quinta-feira, 14 de junho de 2012

verte brado

arrimar doador numa linha sem nó,  bordando o exercício de mim   



pia tecla, homero de magalhães,  a procura de uma agulha,
ciranda de villa-lobos, no dia mundial do doador de sangue  



sábado, 9 de junho de 2012

preclaro

sobrearco, a via vergasta,
um quase double na voz de Callas, e todo o ciano em luz.





domingo, 3 de junho de 2012

deixe vivo

                                       fora d'água fria,

cara de quê tem sua doação?        





sexta-feira, 1 de junho de 2012

em linha, em vento






via, vereda, li                                      
e letra, evento