terça-feira, 31 de julho de 2012

flotilha

  ateia, não faço oração, não rezo cartilha, também não faço poesia, eu vivo
dos lances - os meus dados de osso - mutatis mutandis, eu vivo de acasos







segunda-feira, 30 de julho de 2012

fidelidades

felicidades
tal qual 
paulo hecker filho 

que costumava deixar livros, bilhetes
e quindins
na portaria de mario quintana
"para estar ao lado sem pesar com a presença"


bach e yo-yo ma,
sei lob und preis mit ehren










sábado, 28 de julho de 2012

alargando as asas

sim, sim, salabim! ...se eis minutos, em tempo verão,
sensível Sancy Stradivarius, e porque há toques que partem de voz, Ivry Gitlis.





quinta-feira, 26 de julho de 2012

isla negra


claro e simples,  voz e silêncio 









domingo, 22 de julho de 2012

n' ária


madeira, disposição, esforço, intenção e fruto - o encanto lírico,
reflexos acetinados dão relevo a uma densidade de afinação ideal a cada corda,
em cada movimento buquês de altitude, menos interferência, mais identidade no terroir

vedrò con mio diletto
l'alma dell'alma mia
il core del mio cor pien di contento
e se dal caro oggetto
lungi convien che sia,
sospirerò penando
ogni momento
Il Giustino, Jaroussky




sexta-feira, 20 de julho de 2012

vertente






uma oficina lítica,

uma pequena ária, uma cavatina








quarta-feira, 18 de julho de 2012

defeso

out of the night that covers me,
black as the pit from pole to pole,
I thank whatever gods may be
for my unconquerable soul.

in the fell clutch of circumstance
I have not winced nor cried aloud.
under the bludgeonings of chance
my head is bloody, but unbowed.

beyond this place of wrath and tears
looms but the horror of the shade,
and yet the menace of the years
finds, and shall find, me unafraid.

it matters not how strait the gate,
how charged with punishments the scroll,
I am the master of my fate:
I am the captain of my soul.

Invictus, de William Ernest Henley, 1888
do avesso desta noite que me encobre,
preta como a cova, do começo ao fim,
eu agradeço a quaisquer deuses que existam,
pela minha alma inconquistável.

na garra cruel desta circunstância,
não estremeci, nem gritei em voz alta.
sob a pancada do acaso,
minha cabeça está ensanguentada, mas não curvada.

além deste lugar de ira e lágrimas
avulta apenas o horror das sombras.
e apesar da ameaça dos anos,
encontra-me, e me encontrará destemido.

não importa quão estreito o portal,
quão carregada de punições a lista,
sou o mestre do meu destino:
sou o capitão da minha alma.

Tenho certeza que muitos outros poemas acolheriam a gratidão pela existência de um sujeito como Nelson Mandela, tal como foi, tal como é. Eis um humano que, muito mais do que escrever,  existiu poema,  dos mais belos - e iluminou caminhos. É uma honra estar com a força e a humanidade de Nelson Mandela no rejaneando.





domingo, 15 de julho de 2012

quietude

  nos campos de peixes, as trilhas embarcadas,
  da ilha do campeche, aonde a lua nasce no inverno,
  júpiter, vênus e terra, no céu de marte, nenhuma estrela.





  
   foto nasa

sábado, 14 de julho de 2012

dies solis

dos relevos, contraposição  
  das melhores pescarias,
  
  iscas lá, tinhas







quinta-feira, 12 de julho de 2012

raio vermelho

amiga da liberdade,
inimiga da opressão,                            
com super poderes de atravessar caixas de ressonância em dias desastrados,
reencontro o desconhecido Giuseppe Brescianello no concerto para violino e oboé, ufa!







quarta-feira, 11 de julho de 2012

remoinho

  acúmulo de raros sentidos,











sons e
sensibilidades próprios,

  a ventura feita de trigo















numas ilustrações  
Antonio Saura,
sorvedouro voo  





segunda-feira, 9 de julho de 2012

no carinho

à Mercedes Sosa,
entrelaço linha, tecido e afeto
                      - toda deferência


tantas veces me mataron, tantas veces me morí,
sin embargo estoy aquí resucitando.
gracias doy a la desgracia y a la mano con puñal,
porque me mató tan mal, y seguí cantando.

cantando al sol, como la cigarra,
después de un año bajo la tierra,
igual que sobreviviente que vuelve de la guerra.

tantas veces me borraron, tantas desaparecí,
a mi propio entierro fui, solo y llorando.
hice un nudo del pañuelo, pero me olvidé después
que no era la única vez y seguí cantando.

tantas veces te mataron, tantas resucitarás,
tantas noches pasarás desesperando.
y a la hora del naufragio y a la de la oscuridad
alguien te rescatará, para ir cantando.

uno se despide insensiblemente de pequeñas cosas,
lo mismo que un árbol que en tiempos de otoño se quedan sin hojas.
al fin la tristeza es la muerte lenta de las simples cosas,
esas cosas simples que quedan doliendo en el corazón.

uno vuelve siempre a los viejos sitios donde amó la vida,
y entonces comprende como están de ausentes las cosas queridas.
por eso muchacho no partas ahora soñando el regreso,
que el amor es simple, y a las cosas simples las devora el tiempo.

demorate aquí, en la luz mayor de este mediodía,
donde encontrarás con el pan al sol la mesa tendida.
por eso muchacho no partas ahora soñando el regreso,
que el amor es simple, y a las cosas simples las devora el tiempo.



sábado, 7 de julho de 2012

uns contrapontos

Clássico, pela determinação de dar uma forma à música que surgia dele, de controlar e dominar o rigor criativo, muita imaginação transbordante e uma clara sensibilidade.
Romântico, no sentido mais amplo do termo, pelos voos audazes e ilimitados de sua fantasia, os belos matizes noturnos e por um universo musical interior pleno e agitado. Nos grandiosos psicodramas que parecem ser suas sinfonias, as fanfarras e as marchas evocam a morte, as valsas e as ländler, a loucura. Um músico como ele, com um peculiar sentido de humor, tinha forçosamente que escrever singulares, pra não dizer geniais, scherzos, por conta de sua imensa capacidade de invenção. Gustav Mahler - uma humanidade apaixonada, uma imaginação poética, um pensamento filosófico.

* um realejo destruído depois de um tropeço, numa fuga para a rua, e, já adulto, um dos   maiores maestros da história e uma canção da terra.
* uma carta de amor musical enviada para uma alma que só foi ser sua mais tarde, e   depois o traiu.
* um homem de teatro completo, tão grande compositor quanto intérprete, que deixa   uma sinfonia incompleta.
* um triplamente apátrida. "...como nativo da Boêmia, na Áustria; como austríaco, na   Alemanha; como judeu, no mundo inteiro - um intruso em toda a parte, em parte    nenhuma desejado", definia-se.
Aqui, o adagietto, a carta de amor à Alma. O quarto movimento da sinfonia n°5, na condução de Leonard Berstein.



quarta-feira, 4 de julho de 2012

sobretecer

siciliana marca-d'água, urdidura em corda feita de esparto




segunda-feira, 2 de julho de 2012

sobrelanço

se tem uma fatia da humanidade que eu admiro é aquela das pessoas que fazem pães
    
...e mel, schubert, l'abeille